quarta-feira, 27 de março de 2013

FAMA FRATERNITATIS (Manifesto Rosacruz)



O único sábio e misericordioso Deus nestes últimos dias derramou abundantemente a Sua graça e clemência sobre a Humanidade, conduzindo-nos cada vez mais ao conhecimento perfeito de Seu Filho, Jesus Cristo, e da natureza, para que possamos justificadamente bendizer o tempo venturoso em que vivemos. Não só nos revelou a metade até então desconhecida e oculta do mundo , mas também muitas obras e criaturas da natureza, jamais vislumbradas anteriormente. Além disto favoreceu a emergência de homens de grande sabedoria para renovar , transformar e aperfeiçoar todas as artes (tão maculadas e imperfeitas de nossa época ), para que o homem possa finalmente compreender sua própria nobreza e dignidade , e por que é chamado de Macrocosmos, e até onde se estende seu conhecimento da natureza.

O mundo inculto não ficará muito satisfeito com isto, preferindo zombar e escarnecer . Também o orgulho e a vaidade dos eruditos é tão grande que não conseguirão entrar em acordo. Se pudessem se reunir e examinar a multiplicidade de revelações brindadas ao nosso século poderiam compilar um LIBRUM NATURAE ou um método perfeito de todas as Artes. Porém tamanha é a oposição entre eles que se mantêm ao curso antigo e temem abandoná-lo, estimando ao Papa, a Aristóteles e Galieno; se tais autores que tinham apenas uma pequena mostra de conhecimentos em lugar da clara e manifestada Luz e Verdade, estivessem vivos agora deixariam com alegria suas falsas doutrinas. Porém aqui há demasiada debilidade para semelhante grande obra. Ainda que em teologia, física e matemáticas a verdade se manifeste por si mesma, o velho inimigo se mostra com sutileza e artimanhas, quando obstaculiza todo bom propósito com seus instrumentos e criaturas vacilantes.

Visando uma reforma geral, o muito piedoso e altamente iluminado Pai, nosso Irmão C.R., um alemão, o chefe e fundador da nossa Fraternidade, trabalhou muito durante muito tempo. Devido a sua pobreza (embora descendesse de pais nobres), aos cinco anos de idade foi posto em um convento , onde aprendeu com os idiomas grego e latim ( por seu próprio desejo e pedido) .

Ainda em sua fase de crescimento, se associou a um Irmão, Fra. P. A. L., que decidira viajar para a Terra Santa.

Fra. P.A.L. jamais chegou a Jerusalém, pois faleceu na Ilha de Chipre. Nosso Irmão C.R. , também não retornou , viajando para Damasco, com a intenção de alcançar Jerusalém a partir daquela cidade; todavia, devido a fadiga de corpo provocada pela longa viagem, prolongou a sua estada naquela cidade e, graças à sua perícia em Medicina, foi bem acolhido entre os turcos.
Por acaso, ele ouviu falar dos sábios de Damcar na Arábia, das maravilhas de que eles eram capazes, e das revelações que lhes haviam sido feitas sobre toda a natureza. Tal notícia despertou o espírito nobre e culto do Frater C.R.C., que interessou-se então menos por Jerusalém do que por Damcar. Também não conseguiu refrear seu desejo, e se colocou ao serviço dos mestres árabes, sendo negociada uma determinada soma para conduzi-lo a Damcar.

Chegou a Damcar com 16 anos e foi recebido pelos sábios (segundo ele próprio ), não como um desconhecido, mas como alguém que há muito era esperado. Chamaram-no pelo seu nome, e revelaram-lhe certos segredos do seu claustro, sobre os quais ele só podia ter conjeturado. Ali ele aprendeu melhor o idioma árabe; e, assim, no ano seguinte, traduziu o Livro M. para o latim clássico, que depois carregou consigo. Mais tarde desenvolveu sua Medicina e sua Matemática, de que o mundo teria justo motivo para se alegrar, se houvesse mais amor e menos inveja.

Decorridos três anos , tornou a embarcar com a devida aprovação, no Sinus Arabicus para o Egito, onde apesar de não permanecer por muito tempo, aprendeu algo mais sobre plantas e criaturas. Depois navegou todo o Mar Mediterrâneo e chegou a Fez, no Marrocos, para onde os árabes o tinham enviado.

Deveríamos nos envergonhar diante da atitude benevolente desses homens sábios, que ainda que distantes compartilhavam as mesmas idéias, desprezando todos os libelos, e compartilhando a sua ciência benevolentemente através do selo do segredo.
Anualmente, os árabes e os africanos enviam emissários uns aos outros, procurando compartilhar uns com os outros suas artes, e conhecer seus resultados; se tiveram a felicidade de descobrir coisas melhores, ou se a experiência teria enfraquecido suas razões. A cada ano algo era esclarecido , pelo qual a Matemática, a Medicina e a Magia (na qual os de Fez, no Marrocos, eram muito hábeis) eram corrigidas.

Atualmente a Alemanha não carece de homens eruditos, magos, cabalista, médicos e filósofos, mas falta amor e bondade entre eles , e a grande maioria monopoliza tais segredos em proveito próprio.

Na cidade de Fez Fez, nosso Irmão C.R. entrou em contato com os chamados são Habitantes Elementares, que lhe revelaram muitos de seus segredos.Igualmente poderíamos nós os alemães recolher muitas coisas se houvesse uma unidade semelhante, e um desejo de investigar e compartilhar os segredos existentes em redor de nós e dentro de nós mesmos.

Sobre Fez, ele confessava freqüentemente; que a magia por eles praticada não era todavia pura e que sua Cabala fora profanada por sua religião; porém apesar disto ele sabia como fazer um bom uso dos conhecimentos que eles possuíam e encontrou ainda um melhor fundamento para sua fé; em tudo de acordo com a harmonia do mundo e maravilhosamente dentro dele em todos os períodos do tempo. Por isso ele reconhecia que em cada semente de qualquer classe existe interiormente uma árvore inteira e boa, ou então frutos; assim de forma semelhante está incluído dentro do pequeno corpo do homem um grande e completo mundo cuja religião, saúde, partes do corpo, natureza, linguagem, palavras e trabalhos estão de acordo, simpatizando, em igual melodia com DEUS, o Céu e Terra. Aquilo que não está de acordo com isto é erro, falsidade e do Diabo, que é a única causa primeira, média e última de hostilidades, cegueira e obscuridade no mundo. Também alguém pode examinar várias e até mesmo todas as pessoas sobre a face da terra e descobrir que o bom e o justo está sempre em harmonia consigo mesmo, porém que tudo o resto é manchado por milhares de equivocadas falsidades.

Após dois anos em FEZ, nosso Irmão C.R.C viajou em um veleiro com muitas coisas valiosas para a Espanha, alimentando a esperança de poder compartilhar as experiências proveitosas de suas viagens com os ilustres homens da Europa, que o acolheriam com alegria, e passariam a ordenar e dirigir seus estudos de acordo com aquelas bases firmes e eficazes. Por conseguinte, debateu com os alumbrados eruditos da Espanha, mostrando-lhes os erros de suas Artes, como deveriam ser corrigidos, e de onde colheriam a verdadeira Indicia do futuro, e em que ponto deveriam concordar com as fontes do passado; e também como os erros da Igreja e de toda a Philosophia Moralis deveriam ser reformadas. Ele lhes mostrou ainda novas plantas, novos frutos e animais, os quais estavam de acordo com o que ensinava a filosofia antiga e propôs para eles , uma nova AXIOMÁTICA, com a qual tudo podia ajustar-se completamente. Porém, para eles tudo isso era motivo de zombaria e sendo novo para eles, temiam que sua fama de sábios sucumbisse, se agora tivessem que aprender coisas novas e reconhecer seus muitos anos de erros, aos quais já estavam acostumados e com os quais haviam ganho tanto dinheiro. Que sejam reformados aqueles que amam a inquietude, respondiam.

Ouvia sempre a mesma antífona que lhe era entoada por outras nações, e sua emoção foi tanto maior porque ocorria ao contrário de suas expectativas e por estar disposto a comunicar graciosamente todas as suas artes e segredos aos eruditos, se pelo menos aspirassem empenhar-se para haurir no conjunto das faculdades, das ciências, das artes, em toda a natureza, uma axiomática precisa e infalível. Tal axiomática, como um globo, devia orientar-se de acordo com um centro único, e seria utilizada pelos sábios, como era costume entre os árabes, como uma regra. Deveria existir na Europa uma sociedade que possuísse bastante ouro e pedras preciosas que poderia conceder aos reis, para suas utilidades imprescindíveis e objetivos lícitos. Tal sociedade também se encarregaria da educação dos príncipes, que aprenderiam tudo o que Deus concedeu aos homens de saber, a fim de habilitá-los, em todas as ocasiões de necessidade, a dar um conselho àqueles que dele precisassem, tal qual os oráculos pagãos.

Na verdade, devemos reconhecer que o mundo já estava gerando uma grande reviravolta, e sentia as dores do parto. Engendrava também gloriosos e virtuosos homens que rompiam com as trevas e a barbárie, deixando-nos um rastro a seguir. Eram a ponta do triangulo de fogo, o brilho de cujas chamas não cessa de aumentar e que, indubitavelmente, iluminará o último incêndio que abrasará o mundo.

Outrossim, um destes, Theophrastus (Paracelso), o fora por tendência e vocação, embora não tivesse aderido à nossa fraternidade, lera zelosamente o livro M, iluminando e aguçando sua genialidade. Também foi interceptado em sua marcha por uma multidão confusa de homens eruditos e pseudo-sábios. Nunca pode transmitir em paz sua meditação sobre a natureza, precisando consagrar mais espaço em suas obras para desacreditar os imprudentes do que para revelar-se em toda a sua completude. Todavia, encontramos, nele, profundamente, a harmonia que comentamos. Indubitavelmente, teria comunicado aos homens de ciência, se fossem mais dignos, uma arte superior às sutis vexações. Assim buscou uma vida livre e reservada, distante dos prazeres e da insensatez mundana.

Porém não esqueçamos nosso amado Pai, Irmão C.R. que após duras e penosas viagens, constatando que suas verdadeiras instruções não foram aceitas, regressou à Alemanha, país que amava cordialmente. Neste país, ainda que pudesse ter se vangloriado com sua arte, especialmente com a transmutação dos metais*, estimava muito mais o Céu , seus habitantes e a humanidade, do que glorias e pompas mundanas.

Entretanto, construiu para si uma confortável morada onde meditava e refletia sobre Filosofia e suas viagens, sintetizando tudo num verdadeiro memorial. Nesta casa envolveu-se por muito tempo com pesquisas matemáticas e construiu muitos instrumentos de precisão, EX OMNIBUS HUJARTIS PARTIBUS, dos quais poucos foram por nós conservados, conforme compreenderão mais adiante.

Após cinco anos, tornou a aspirar a reforma nas artes e nas ciências. Duvidando da possibilidade de qualquer outra ajuda e de qualquer outro apoio, de espírito assíduo, pronto e perseverante, ele decidiu empreendê-la por sua conta, na companhia de um pequeno número de adjuntos e colaboradores. Para lograr este fim convidou três Irmãos de seu antigo convento (que ele amava tanto); o Irmão G.V., o Irmão J.A. e o Irmão J.O. cujos conhecimentos, ultrapassavam o saber daquela época. Tais Irmãos prestaram um juramento supremo de fidelidade, diligência e silêncio, rogando-lhes que registrassem cuidadosamente por escrito todas as instruções que lhes transmitisse, a fim de que os futuros membros, cuja admissão deveria efetuar-se depois graças a uma revelação particular, não se equivocassem a respeito de um iota sequer.

Desta maneira teve início a Fraternidade dos Rosacruzes, com apenas quatro pessoas, que desenvolveram a linguagem e a escrita mágicas,com um grande dicionário, o qual ainda usamos diariamente para louvar e glorificar a Deus, haurindo aí uma grande sabedoria. Escreveram também a primeira parte do Livro M. Porém, devido ao seu trabalho ser excessivamente árduo, a grande afluência de enfermos em busca de cura começava a estorvá-los e ainda que seu novo edifício (chamado SANCTI ESPIRITUS) já estava concluído, resolveram ampliar sua confraria e para este fim foram escolhidos como novos membros o primo-irmão do Fr. Rosa-Cruz, um pintor de talento, Fr. B., seus secretários, G.G. e P.D.,todos de nacionalidade alemã, com exceção de I.A.; no total, oito membros, todos virgens que fizeram o voto do celibato. Eles deviam escrever um livro onde deviam registrar todas as aspirações, desejos e esperanças que a humanidade jamais foi susceptível de alimentar.

Ainda que livremente reconhecemos que o mundo tenha evoluído bastante nos últimos cem anos, estamos seguros que nossa AXIOMÁTICA não será superada até o final do mundo e que também o mundo em suas eras futuras não verá nada diferente, porque nossa ROTA abarca tanto o dia em que DEUS pronunciou" FIAT (Faça-se) quanto o dia em que Ele pronuncie PEREAT (Pereça). O relógio de DEUS marca com precisão cada minuto, quando nossos relógios escassamente marcam as horas precisas. Também cremos firmemente que nossos irmãos e nossos pais se houvessem vivido nesta época haveriam tratado com mais rigor ao Papa ,a Mahomet (Islam), e aos escritores, artistas e sofistas; não simplesmente com suspiros desejando o fim da miséria.

Estes oito Irmãos catalogaram e ordenaram todas as coisas de forma harmônica. Não se demandava então outro trabalho de grande vulto . Cada qual havia sido bem instruído , estando qualificado para ministrar os segredos de sua arte e filosofia. Ainda que desejassem compartilhar por mais tempo a companhia uns dos outros, haviam combinado, a princípio, que deveriam separar-se e dirigir-se a vários países distintos; não apenas para compartilhar sua AXIOMÁTICA com outros homens ilustres, senão para que eles próprios ,noutros países , observassem algo ou algum equívoco , devendo comunicá-los uns aos outros.
Seu acordo era o seguinte:
1. - Que nenhum deles deveria fazer nada mais que curar os enfermos e isto gratuitamente.
2. - Que nenhum deles nem os que os seguiam; deveriam jamais usar certa classe de hábito, senão vestir-se segundo o costume do país em que residissem.
3. - Que a cada ano no dia C. deviam reunir-se na casa SANCTUS SPIRITUS, ou justificar por escrito sua ausência.
4. - Que cada Irmão deveria buscar uma pessoa merecedora, que depois de sua morte pudesse substituí-lo.
5. - Que a palavra C.R. devia ser o selo, marca e caráter deles.
6. - A FRATERNIDADE devia permanecer secreta por cem anos.

Comprometeram-se mutuamente a observar esses seis artigos. Cinco Irmãos partiram para diversas partes. Somente permaneceram os Irmãos B. e D. com o Pai, Fra. R.C. durante um ano inteiro.Quando, ao cabo de um ano, eles também partiram,J.O. e seu primo ficaram junto dele, para que assim em todos os dias de sua vida tivesse a companhia de dois de seus Irmãos.
E, por mais maculada que estivesse a Igreja, , sabemos que os Irmãos nela pensavam e aspiravam profundamente pela purificação da mesma.

Todos os anos se reuniam com alegria e faziam uma coletânea completa do que haviam feito Havia um grande júbilo entre eles, em compartilhar o relato verídico e sem artifícios de todas as maravilhas e milagres que Deus não cessou de espalhar pelo mundo. Todos podem estar certos que pessoas como estas,cujo encontro era obra da máquina celeste, escolhidas pelos espíritos mais sábios de cada século, viveram entre eles e em sociedade na mais perfeita concórdia, na mais total discrição, o mais caridosamente possível.Vivendo tal estilo de vida, ainda que suas existências transcorressem livres de dores e enfermidades não podiam viver por mais tempo que o determinado por Deus. O primeiro Irmão desta augusta Fraternidade que morreu, e isto ocorreu na Inglaterra, foi o Irmão J.O., tal como o Irmão C. há tempos havia-lhe predito. Ele era muito culto e conhecia com profundidade a Cabala, como demonstra o livro H., de sua autoria. Na Inglaterra era muito famoso, pois havia curado o jovem Conde Earl de Norfolk que sofria de lepra. Os Irmãos decidiram que o lugar de seus enterros devia permanecer secreto, até onde fosse possível. Atualmente não sabemos nada do que sucedeu a alguns deles, porém o posto que desempenhavam foi ocupado por um sucessor competente. Porém , isto confessaremos publicamente por essas dádivas para a glória de Deus, que seja qual for o segredo que tenhamos aprendido no livro M. ( ainda que nossos olhos contemplem a imagem e configuração de todo o mundo), não nos foram revelados nossos infortúnios, nem a hora da morte, que somente é conhecida pelo próprio Deus, o qual desta maneira nos conservaria num estado contínuo de preparação. Esta questão será tratada mais explicitamente em nossa Confissão na qual também enunciaremos as 37 causas pelas quais revelamos agora nossa Confraria, fazendo a oferta livre, espontânea e gratuita de mistérios tão profundos, e a promessa de mais ouro do que o fornecido pelas duas Índias ao rei da Espanha: porque a Europa está grávida, e ela vai dar à luz um robusto rebento que seus padrinhos cobrirão de ouro.

Após a morte do Irmão J.O. , o Irmão R.C. não cessou suas atividades, e assim que pôde convocou os demais Irmãos, e supomos que foi nesta época que foi feita a sua tumba. Embora nós, os mais jovens, ignorássemos até então absolutamente a data da morte do nosso bem-amado Pai R.C., e não estivéssemos de posse a não ser dos nomes dos fundadores e de todos aqueles que os sucederam até nós, soubemos todavia guardar em memória um mistério que A., o sucessor de D., o último representante da segunda geração, que viveu com muitos dentre nós, confiou a nós, representantes da terceira geração, num misterioso discurso sobre os cem anos. Confessamos, aliás, que após a morte de A. nenhum de nós conseguiu o menor detalhe a respeito de R.C. e sobre seus primeiros irmãos, exceto o que é relatado em nossa Biblioteca Filosófica, entre outras, nossa Axiomática, obra capital para nós, os Ciclos do Mundo, a obra mais sábia, e Proteu, a mais útil. Não sabemos portanto com certeza se os representantes da segunda geração possuíam a mesma sabedoria que os da primeira, e se tiveram acesso a todos os mistérios. Mas lembremos ainda ao atento leitor que foi Deus quem preparou, aprovou e ordenou o que aprendemos aqui mesmo, sobre a sepultura de Fr.C., e que proclamamos agora publicamente.

Nós lhe somos tão fielmente dedicados que não tememos a revelação , numa obra impressa, de nossos nomes de batismo, de nossos pseudônimos, de nossas assembléias, de tudo o que se deseja saber de nós, contando que , em contrapartida, as pessoas se dirijam a nós, contando que, em contrapartida, as pessoas se dirijam a nós com modéstia, e que as respostas sejam cristãs.
Agora vem o verdadeiro e fundamental relato do altamente iluminado homem de DEUS, Fra.,C.R.,que é o seguinte:
Após a morte física de A. , na Gallia Narbonensis (a cidade de Narbon em França cerca da fronteira com a Espanha, pelo lado do Mediterrâneo), sucedeu-o nosso amado Irmão N.N., que adotou seu nome, após vir a nosso encontro para fazer o solene juramento de fidelidade e segredo, nos informando confidencialmente que A. lhe havia assegurado, que esta Fraternidade não permaneceria tão oculta, mas que seria benéfica, útil e recomendável a toda a nação alemã; que de forma alguma envergonhava-se de seu estado. ( A Alemanha naquela época era protestante e sofria o ataque dos exércitos católicos que vinham do Sul da Europa).

No ano seguinte após N.N. haver concluído seu aprendizado, planejou viajar, munido de tão respeitável viático e da bolsa de um Fortunato , todavia , sendo um bom arquiteto idealizou restaurar e modernizar sua morada para torná-la mais adequada aos propósitos da Irmandade. Nesta reforma, interessou-se por uma placa memorial que havia sido fundida em bronze e sobre a qual estava inscrito os nomes dos primeiros membros da Ordem e algumas outras inscrições. Pretendia deslocá-la para uma uma câmara mais conveniente. Onde ou quando Fra. C.R. nosso amado pai e fundador havia morrido ou em que país fora enterrado fora conservado secreto pelos Irmãos que nos antecederam sendo por nós desconhecido. Na placa mencionada estava cravado um grande prego; assim quando foi arrancada com força, trouxe consigo uma grande pedra proveniente da parede fina , o rebote de uma porta escondida, destapando- a. Então derrubamos com alegria e esperanças o resto da parede, desobstruindo a porta. Sobre a porta estava escrito em caracteres de grande formato: POST 120 ANNOS PATEBO ,seguidos do antigo milésimo.

Demos graças a DEUS e, aspirando consultar em primeiro lugar , o Rotam, nossa obra sobre os Ciclos, detivemos nosso trabalho. Mas tornamos a nos referir à nossa Confessio Fraternitatis, pois o que aqui publicamos é para auxiliar aqueles que são dignos, contudo para os indignos (segundo a vontade de Deus) ela terá pouca utilidade. Da mesma forma como nossa porta se abriu de modo maravilhoso ao cabo de tantos anos, na Europa, uma porta também deverá se abrir, logo que o muro de tijolos seja afastado: ela já é visível; são muitos os que as esperam com intensidade.

Na manhã seguinte abrimos a porta, e aos nossos olhos surgiu uma galeria abobadada de sete lados e cantos, cada um deles medindo, aproximadamente, 1,5 metros de largura por 2,5 metros de altura. Embora o sol jamais brilhasse dentro dela, estava iluminada com uma outra luz solar, a qual aprendera a fazê-lo com o próprio sol, e estava situada na parte superior e no centro do teto. No meio, e em vez de lápide, havia um altar redondo coberto por uma chapa de bronze, tendo nela gravado:
A.C.R.C HOC UNIVERSI COMPENDIUM VIVUS MIHI SEPULCRUM FECI (Este compêndio do universo, construí durante minha existência para ser meu túmulo).

A volta do primeiro círculo, ou borda, constava: JESUS MIHU OMNIA (Jesus é para mim todas as coisas). No centro viam-se quatro figuras encerradas em círculos, cujas inscrições eram as seguintes:
1. Nequaquam vaccum (Em nenhuma parte existe um vácuo)
2.Legis Jugum (O Jugo da Lei)
3.Libertas Evangelli (A Liberdade do Evangelho)
4.Dei Gloria Intacta ( A Glória Íntegra de Deus).

Estava tudo claro e resplandecente como também os sete lados e os dois heptágonos; então, reunidos, ajoelhamo-nos e rendemos graças ao único , sábio e poderoso Deus , que nos ensinara mais do que poderiam haver descoberto todas as mentes humanas e então glorificamos seu Santo Nome.

A galeria foi dividida em três partes : a superior ou teto, a parede ou lado e o piso ou chão. Em relação ao teto, não nos deteremos muito por enquanto, porém estava dividido em triângulos, dispostos nos sete lados até o centro luminoso, porém o que nele estava contido , vós, se de acordo com a vontade de Deus aspireis pertencer a nossa confraria, contemplareis com seus próprios olhos; contudo cada lado ou parede estava subdividido em dez figuras, cada qual com suas varias estampas e sentenças particulares, conforme fielmente exibido e explicado no Concentratum ( Compendium) , aqui em nosso livro.
O piso também estava dividido em triângulos, porém devido nele estar descrito o poder e o regência dos governantes inferiores (os planetas) não podemos descrever isto por recear o abuso de um mundo cheio de maldade e afastado de Deus. Porém aqueles que estão previstos e têm o antídoto celestial, que sem medo pisam e destroem a cabeça da velha e maligna serpente que nos nossos dias está muito presente.

Cada lado ou parede possuía uma porta ou caixa onde estavam diversos objetos especialmente todos os nossos livros que de todas as formas já possuímos. Entre eles estava o Vocabulário de THEOP:PAR.HO. (Teofrastus Paracelsus de Hohenheim) e com os quais, sem artifícios estudamos diariamente. Também encontramos o Itinerariom e Vitam, dos quais muito deste relato é baseado. Entre uma outra caixa estavam espelhos de várias virtudes, como noutro lugar haviam pequenos sinos, lâmpadas acesas e mais que tudo haviam maravilhosos cantos artificiais que geralmente foram construídos com o objetivo de que se algo chegasse a suceder com a Ordem ou a Fraternidade, acabando-se depois de centenas de anos, poderia tudo restaurar-se novamente por meio desta única abóbada.
Como até aquele momento ainda não havíamos percebido os restos mortais do corpo de nosso cuidadoso e sábio pai, removemos o altar a um dos lados e levantamos uma forte placa de bronze. Encontramos um corpo perfeitamente conservado, intacto e sem deterioração alguma. Artificiosamente parecia como se estivesse vivo com todos seus ornamentos. Em sua mão portava um livro de pergaminho, chamado I. , que depois da Bíblia, é nosso maior tesouro. Ao final deste livro acha-se o seguinte ELOGIUM: GRANUM PECTORI JESUS INSITUM.

C. Ros. C. ex nobili atque splendida Germaniae R.C. familia oriundus, vir sui seculi divinis revelationibus subtilissimis imaginationibus, indefessis laboribus ad coelestia, atque humana mysteria ; arcanave admissus postquam suam (quam Arabico, & Africano itineribus Collegerat) plusquam regiam, atque imperatoriam Gazam suo seculo nondum convenientem, posteritati eruendam custo divisset et jam suarum Artium, ut et nominis, fides acconjunctissimos herides instituisset, mundum minutum omnibus motibus magno illi respondentem fabricasset hocque tandem preteritarum, praesentium, et futurarum, rerum compendio extracto, centenario major non morbo (quem ipse nunquam corpore expertus erat, nunquam alios infestare sinebat) ullo pellente sed spiritu Dei evocante, illuminatam animam (inter Fratrum amplexus et ultima oscula) fidelissimo creatori Deo reddidisset, Pater dilectissimus, Fra: suavissimus, praeceptor fidelissimus amicus integerimus, a suis ad 120 annos hic absconditus est.


Tradução do ELOGIUM ao português:
Uma semente foi plantada no peito de Jesus. C. Ros. C. originou-se na nobre e famosa família alemã da R.C.; um homem aceito nos mistérios e segredos do céu e da terra através das revelações divinas, cogitações sutis e da persistente labuta de sua vida. Em suas viagens pela Arábia e África, reuniu um tesouro ultrapassando o dos Reis e Imperadores; não o achando, porém, adequado para a sua época, conservou-o secreto para ser descoberto pela posterioridade, e nomeou os herdeiros leais e fiéis de suas artes, e também de seu nome. Edificou um microcosmo correlacionado em todos os movimentos ao macrocosmo, e finalmente redigiu este compêndio das coisas passadas, presentes e futuras. Em seguida, tendo já ultrapassado um centenário, embora não atribulado por nenhuma enfermidade, que jamais sofrera em seu próprio corpo e tampouco permitira que outros a sofressem, mas chamado pelo Espírito de Deus, entre os últimos amplexos de seus irmãos, entregou sua alma iluminada a Deus seu Criador. Um pai amado, um Irmão afetuoso, um Mestre leal, um Amigo sincero, aqui permaneceu oculto por seus discípulos durante 120 anos.
Haviam firmado aqui abaixo:

1. Fra: I.A. Fr.C.H. (escolhido por C.H. chefe da Fraternidade)
2. Fr: G.V. M.P.C.
3. Fra: R.C. Iunior haeres S. spiritus.(o mais jovem herdeiro do Espírito Santo)
4. Fra: B.M. P.A. Pictor et Architectus.(pintor e arquiteto)
5. Fr: G.G. M.P.I. Cabalista.

Secundi Circuli.

1. Fra: P.A. Successor, Fr: I.O. Mathematicus.(matemático, sucessor do Irmão I.O.)
2. Fra: A. Successor, Fra. P.D.
3. Fra: R. Successor patris C.R.C. cum Christo triumphant.(sucessor do Pai C.R.C., triunfador no Cristo)

Ao final estava escrito o seguinte:
EX DEO NACIMUR , IN JESU MORIMUR , PER SPIRITUM SANCTUM REVIVISCIMUS
(De Deus nascemos , em Jesus morremos, pelo Espírito Santo revivemos)

O Irmão C.R.C. nasceu em 1378 e viveu 106 anos. Segundo isto morreu em 1484. Sua tumba foi descoberta 120 anos depois, ou seja no ano 1604.

Nessa época já haviam morrido os Irmãos I.0 e Fra. D., porém onde se encontrará o lugar de suas sepulturas? Não duvidamos que o mais velho dos irmãos, no instante de seu sepultamento, foi objeto de cuidados especiais e que também teria tido uma sepultura secreta.

Também esperamos que o nosso exemplo estimulará outros irmãos ,a procurar com mais cuidado pelos nomes que revelamos com tal finalidade, e a encontrar o local de suas tumbas.Célebres e apreciados, geralmente, por sua arte médica, nas mais antigas gerações, eles podem talvez , com efeito , contribuir para ampliar nosso tesouro, ou pelo menos para compreendê-lo melhor.

Quanto ao MINUTUM MUNDOM, nós o encontramos conservado noutro pequeno altar. Realmente mais admirável do que possa ser imaginado por qualquer homem de discernimento. Todavia nós não o descreveremos enquanto não tiver creditado um voto de confiança a nossa Fama Fraternitatis. Em seguida tornamos a cobrir o túmulo com as placas, e sobre elas colocamos o altar e tornamos a fechar a porta, apondo-lhe todos os nossos selos, antes de decifrar algumas obras, baseando-nos nas diretrizes de nossa Rota - nosso tratado sobre os ciclos - (entre outros, sobre o livro M. Hoh., cujo autor é o doce M.P., e que é útil como um tratado de economia doméstica). Em seguida, segundo o nosso costume, separamo-nos novamente, deixando nossas jóias a seus herdeiros naturais. E assim aguardamos a resposta e julgamento dos eruditos e dos não eruditos sobre as nossas revelações.

Ainda que conheçamos a amplitude de uma reforma geral divina e humana que contentará tanto os nossos desejos quanto as esperanças de todos os homens, não é mau, com efeito, que o Sol, antes de seu despertar , projete no céu uma luminosidade mais clara ou escura; que alguns se anunciem e se reunam para promover nossa irmandade pelo seu número e pelo prestígio do cânon filosófico idealizado e ditado por Pr. C., ou mesmo para deleitar-se com humildade e amor de nossos alienáveis tesouros, curando as misérias deste mundo e não lidando com tanta cegueira com as maravilhas divinas.

Porém, para que cada Cristão também possa apreciar a nossa piedade e probidade, professamos publicamente o conhecimento de Jesus Cristo nos termos claros e nítidos em que Ele, nesta época tem sido proclamado na Alemanha e onde certas províncias famosas o mantêm e o proclamam atualmente contra todos os entusiastas, heréticos e falsos profetas. Nós também celebramos os Sacramentos instituídos pela primeira Igreja reformada, com as mesmas fórmulas e cerimônias.

Na política reconhecemos o Imperio Romano e a IV Monarquia, como nosso regente e como regente dos cristãos. Apesar do conhecimento que possuímos em relação as mudanças que irão ocorrer e de nossa profunda aspiração em divulgá-las àqueles que são isntruídos por Deus, eis nosso manuscrito, que está em nosso poder. Nenhum ser humano nos colocará for a da lei, nem nos entregará aos indignos, sem a permissão do deus único.

Colaboraremos secretamente com esta causa benéfica segundo a Vontade divina. Porque nosso Deus não é cego como acreditam e profetizam os pagãos porém Ele é a glória da Igreja e a Honra do Templo.

Nossa filosofia não é tampouco nenhuma novidade: ela é conforme a que herdou Adão após a queda e que foi praticada por Moisés e Salomão. Ela não questiona ou refutadiferentes teorias porque a verdade é única, suscinta, sempre idêntica a ela própria, pois, adequando-se a Jesus em todas as suas partes e em todos os seus membros, ela é a imagem do Pai como Jesus é seu retrato, é um equívoco dizer que o que é verdadeiro em Filosofia é falso em Teologia. O que Platão , Aristóteles e Pitágoras estabeleceram, o que Enoch, Abraão, Moisés e Salomão confirmaram, naquilo que está em concordância com a Bíblia o grande livro das maravilhas, corresponde e descreve uma esfera, ou um globo em que todas as partes estão equidistantes do centro, ciencia em que trataremos mais profundamente na Conferencia Cristã.

Quanto ao que se refere em nossa época ao enorme sucesso da arte ímpia e maldita dos fazedores de ouro, que incita de forma muito singular uma multidão de lisongeadores evadidos das prisões e maduros para o cadafalso a cometer grandes vilezas abusando da boa fé e da ingenuidade de muitos indivíduos, a ponto de alguns acreditarem , em sua probidade, que a transmutação metálica é o ápice e o cimo da Filosofia, que é necessário dedicar-se completamente a ela e que a fabricação de massas e de lingotes de ouro agrada de forma especial a Deus - mediante preces irrefletidas, mediante expressões doentias e inúteis , eles esperam conquistar um Deus cuja onisciência penetra em todos os corações - , eis o que proclamamos publicamente: tais concepções são falsas.

Testificamos que para os verdadeiros filósofos, a fabricação de ouro não é senão um parergon, um trabalho preliminar, de pouca importancia, um entre milhares de outros tantos os que têm em seu repertório, e que são muito mais importantes.
Assim afirmamos as palavras de nosso bem- amado Pai C.R.C. : PHY: AURUM NICI QUANTUM AURUM.( Irra! Ouro, nada mais do que ouro!) Aquele a cujos olhos toda a natureza se revela não se deleita por poder fabricar ouro e domesticar demônios, mas segundo as palavras de cristo: se alegra por contemplar o céu abrir-se, os anjos do Senhor subir e descer, e seu nome inscrito no Livro da Vida.

Também testificamos que sob o nome de Chymia (Química) foram apresentados muitos livros e ilustrações no Contumeliam Gloriae Dei, como os denominaremos em sua devida época, dando aos puros de coração um Catálogo, ou registro deles.
E rogamos a todos os homens de ciencia que redobrem sua prudência à leitura destes livros: o inimigo não cessa de semear seu joio, até encontrar alguem mais forte que os extirpe.

Assim, de acordo com a vontade e pensamentos do Fra. C.R.C., nós seus Irmãos pedimos novamente aos sábios e eruditos de toda a Europa que leiam estas nossas FAMAM y CONFESSIONEM, traduzidos em seis idiomas, e que, se lhes aprouver, poderão deliberar considerarem essa nossa oferta, e julgarem a época atual com todo o desvelo, e declararem a sua opinião por impresso, seja como uma Communicatio consilio, ou sigulatim.

Ainda que neste momento não tenhamos mencionado nossos nomes e reuniões, as opiniõe de todos, não importa a lingua que professem, chegarão até as nossas mãos. E todos aqueles que indicarem seu nome receberão uma resposta de alguma forma. Proclamamos, que aquele que nutra a nosso respeito seriedade e cordialidade , ao dirigir-se a nós será por isso beneficiado em corpo e alma; todavia aquele que seja falso em seu coração, ou os ambiciosos de riquezas, não nos causará nenhum mal, mas atrairá para si a ruína e a destruição absolutas.

Em relação a nossa morada , ainda que cem mil pessoas tenham dela se aproximado e quase a contemplado de perto, permanecerá para sempre intocável, indestrutível e oculta para o mundo perverso. SUB UMBRA ALARUM TUARUM JEHOVA ( À sombra de Tuas Asas , Jeová )

Fonte: pesquisa

segunda-feira, 25 de março de 2013

Os sons do silêncio


Um rei mandou seu filho estudar no templo de um grande mestre com o objetivo de prepará-lo para ser uma grande pessoa.

Quando o príncipe chegou ao templo, o mestre o mandou sozinho para uma floresta.

Ele deveria voltar um ano depois, com a tarefa de descrever todos os sons da floresta.

Quando o príncipe retornou ao templo, após um ano, o mestre lhe pediu para descrever todos os sons que conseguira ouvir.

Então disse o príncipe:

"Mestre, pude ouvir o canto dos pássaros, o barulho das folhas, o alvoroço dos beija-flores, a brisa batendo na grama, o zumbido das abelhas, o barulho do vento cortando os céus..."

E ao terminar o seu relato, o mestre pediu que o príncipe retornasse a floresta, para ouvir tudo o mais que fosse possível.

Apesar de intrigado, o príncipe obedeceu a ordem do mestre, pensando:

"Não entendo, eu já distingui todos os sons da floresta..."

Por dias e noites ficou sozinho ouvindo, ouvindo, ouvindo..., mas não conseguiu distinguir nada de novo além daquilo que havia dito ao mestre.

Porém, certa manhã, começou a distinguir sons vagos, diferentes de tudo o que ouvira antes.

E quanto mais prestava atenção, mais claros os sons se tornavam.

Uma sensação de encantamento tomou conta do rapaz.

Pensou: "Esses devem ser os sons que o mestre queria que eu ouvisse..."

E sem pressa, ficou ali ouvindo e ouvindo, pacientemente.

Queria ter certeza de que estava no caminho certo.

Quando retornou ao templo, o mestre lhe perguntou o que mais conseguira ouvir.

Paciente e respeitosamente o príncipe disse:

"Mestre, quando prestei atenção pude ouvir o inaudível som das flores se abrindo, o som do sol nascendo e aquecendo a terra e da grama bebendo o orvalho da noite..."

O mestre sorrindo, acenou com a cabeça em sinal de aprovação, e disse:

"Ouvir o inaudível é ter a calma necessária para se tornar uma grande pessoa.

Apenas quando se aprende a ouvir o coração das pessoas, seus sentimentos mudos, seus medos não confessados e suas queixas silenciosas, uma pessoa pode inspirar confiança ao seu redor; entender o que está errado e atender as reais necessidades de cada um.

A morte do espírito começa quando as pessoas ouvem apenas as palavras pronunciadas pela boca, sem se atentarem no que vai no interior das pessoas para ouvir os seus sentimentos, desejos e opiniões reais.

É preciso, portanto, ouvir o lado inaudível das coisas, o lado não mensurado, mas que tem o seu valor, pois é o lado mais importante do ser humano..."

Do livro: Histórias da Tradição Sufi - Editora Dervish

fonte: Metáfora da Semana - 23/03/2013
www.golfinho.com.br

sexta-feira, 22 de março de 2013

O Rito Escocês Retificado




O Rito Escocês Retificado é também conhecido como Rito de Willermoz, em alusão ao seu criador, Jean Baptiste de Willermoz (Lyon,1730- Lyon,1824), que foi iniciado na maçonaria aos 20 anos de idade em uma loja que funcionava sob os auspícios da Estrita Observância Templária.

A intenção de ter um Rito Escocês Retificado seria trazer de volta antigas influências dos Cavaleiros Templários, como um rito de cavalaria, também de um antigo rito chamado Rito de Heredom. Segundo Willermoz o Rito havia se descaracterizado com o tempo, perdendo assim sua identidade original como um Rito de Cavaleiros.

Foi relançado nas suas bases atuais, graças ao trabalho incansável de Jean-Baptiste Willermoz, que mantinha relações com maçons de toda a Europa, principalmente com os Irmãos mais qualificados de todos os ritos.

Ele passou a vida inteira reunindo todo o tipo imaginável de documentos, rituais e instruções, buscando alcançar a essência da iniciação maçônica.

O sistema maçônico que o interessava de imediato, foi o da Estrita Observância Templária, em razão das origens templários que esse sistema atribuía à Maçonaria e por sua organização em forma de ordem de cavalaria.



ORIGENS MAÇÔNICAS DE WILLERMOZ

Jean-Baptiste Willermoz era muito estimado pelos seus discípulos, principalmente pelas maneiras cordiais, amigáveis e sedutoras. Ele tinha como profissão profana a fabricação e comércio de artigos de seda, sendo ainda um grande proprietário de imóveis na cidade de Lyon, no centro da França.

Desde jovem, conseguiu reunir em torno de si um grupo de homens devotados à causa espiritual, tais como: Louis Claude de Saint-Martin, Joseph de Maistre, Martinez de Pasqually e o famoso Conde de Saint-Germain, alguns companheiros de estudos, outros seus próprios mestres.

Claude Catherin Willermoz foi seu pai, que por tradição também se dedicava à produção de tecidos; sua irmã Claudine foi iniciada nas ordens externas e o seu irmão mais novo, o médico Pierre-Jacques Willermoz foi iniciado em todas as ordens e jogou um papel importante na afirmação de Lyon como centro maçônico importante.

Jean-Baptiste Willermoz iniciou-se na Maçonaria em 1750. Com 20 anos de idade e já em 1752 era Venerável Mestre da sua loja e um ano mais tarde fundou a loja “;A Perfeita Amizade”, que desempenhou um papel muito importante mais tarde. Em 1756 obteve a filiação da sua loja na Grande Loja da França. Em 1760, com 30 anos de idade, fundou uma segunda loja: “Os Verdadeiros Amigos”; juntamente com o Venerável da sua primeira loja: “A Amizade”;, o irmão Jacques Irenée Grandon.

Nesse mesmo ano, as três lojas AMIZADE, A PERFEITA AMIZADE, e os VERDADEIROS AMIGOS, sob a coordenação de Willermoz, fundam a GRANDE LOJA DOS MESTRES REGULARES DE LYON, que recebeu Grandon como o seu primeiro presidente. Esses maçons tinham como objetivo a volta às suas origens primitivas.

Willermoz torna-se Grão Mestre em 1761, reelegendo-se em 1762, mas desinteressou-se em seguida, devido ao aumento das tarefas administrativas. Além disso, ele estava desgostoso com a banalidade dos trabalhos maçônicos o que o induziu a fundar o Capítulo dos “;CAVALEIROS DA ÁGUIA NEGRA”, onde recrutava os melhores elementos de todas as lojas da cidade.

Willermoz ensinava no seu Capítulo que, para encontrar a pedra cúbica, que contém em si todos os dons, virtudes ou faculdades, era necessário encontrar o princípio da vida que os Adeptos chamam Alkaeter. Esse espírito tem a faculdade de purificar o ser anímico do homem, prolongando sua vida.

Ele também tem a virtude de transformar os vis metais em ouro. Esse espírito encontra-se nos três reinos da natureza e cabe ao homem encontrar a maneira de manipulá-lo. Eles ensinavam que a pedra bruta representava a matéria disforme que devemos preparar; a pedra cúbica com ponta piramidal representava a matéria desenvolvida pela tríplice ação do Sal, do Enxofre e do Mercúrio.

O portador do terceiro grau possuía duas jóias, uma era o emblema dos três reinos da natureza que entra no trabalho de preparação da Grande Obra, a outra era o Pantáculo de Salomão, de sorte que o iniciado deveria portar em si toda a ciência cabalística. Entretanto, Willermoz logo desinteressou-se do Capítulo da Águia Negra, pelas seguintes razões: primeiro porque a base de simbolismo já era do seu pleno conhecimento e havia conseguido formar Mestres capazes de continuar esse trabalho de instruir o s maçons do capítulo; segundo porque encontrou Martinez de Pasqually em 1767, quando tinha 37 anos de idade. Martinez, que como se sabe, foi o fundador da Ordem dos Cavaleiros Maçons Elus Cohens do Universo, sistema operativo, cujo ensinamento marcou profundamente o espírito de Willermoz.



A DOUTRINA DE MARTINEZ E O GRANDE TEMPLO DE LYON

Os maçons de Lyon, embora perseverantes no seu trabalho, não possuíam, uma doutrina sintética, que lhes assegurasse o objetivo dos seus trabalhos. A doutrina exposta por Martinez encaixou como uma luva nas mãos laboriosas dos maçons ocultistas de Lyon, cujo chefe era Jean-Baptiste Willermoz.

Tal doutrina comportava a revelação de verdades primordiais, comunicadas outrora a alguns seres privilegiados, e em sua síntese, ensinava a maneira de transpor a barreira que separa o Homem da Divindade.

Martinez trazia a mensagem de uma tradição oculta, conservada alegoricamente nas Escrituras Sagradas, sob o véu dos símbolos, transmitida através dos tempos pelas Sociedades Secretas. A Maçonaria tinha perdido a chave dessa tradição, que foi reencontrada por Martinez e por ele retransmitida nos seus rituais.

A sua doutrina explicava que a história da humanidade se resumia nas conseqüências do pecado original e na subdivisão do Homem Primitivo. A Divindade emanou Adão para que fosse o guardião da prisão onde tinha colocado os anjos rebeldes. Adão, revestido de uma forma “gloriosa”; comandava toda a criação. Mas, seduzido pelos Espíritos perversos, Adão quis ter a sua própria posteridade “espiritual”;.

Entretanto, a criação de Adão não resultou senão numa forma material (Eva), que constituiu sua própria prisão futura. Essa condição o privou da comunicação com a Divindade e o expôs aos ataques dos espíritos perversos, dos quais ele era anteriormente o Mestre.

A posteridade de Seth poderá obter sua reconciliação e entrar em contacto directo com a Divindade, após ter percorrido todas as esferas superiores do mundo celeste.

Willermoz foi iniciado por Martinez em Versailles, perto de Paris, no Equinócio de Março de 1767, quando este instalou o seu Tribunal Soberano de Paris. Willermoz tinha sido apresentado por Bacon de la Chevalerie e o Mestre logo reconheceu em Willermoz um futuro adepto, um continuador da sua doutrina, motivo pelo qual não pode conter as lágrimas, sobretudo, porque via nessa iniciação a prova da sua reconciliação com a Divindade. Nesse mesmo ano, Willermoz foi recebido como membro não residente do Tribunal Soberano e a sua correspondência com o Mestre durou cinco anos.

Entretanto, durante esse período não obteve nenhuma luz, o que quase induziu Willermoz a abandonar a Ordem, apesar de Martinez lhe dizer que o desenvolvimento das qualidades espirituais, não vinha de um dia para o outro, e que somente o tempo e a perseverança na iniciação lhe poderia oferecer os resultados esperados.

Divindade, nada lhe será dado. Somente a graça da reconciliação do Pai dará a potência e o poder ao filho. A luz não é dada ao curioso, ao apressado; o Altíssimo a concede ao Homem submisso aos seus mandamentos e que pratica a sua justiça.

O Elus Cohen deveria seguir rigorosamente o ritual teúrgico e renunciar a tudo o que existe neste baixo mundo, e resignar-se a receber a graça no seu devido tempo. Esta virá, a partir de um trabalho constante, quando menos se espera. A preguiça, ou a impureza de um único membro durante os trabalhos, prejudica todo o trabalho coletivo dos grupos operativos.

Willermoz compreendeu rapidamente estas premissas e trabalhou de corpo e alma, não somente na sua regeneração pessoal como também com o objetivo de estender essa doutrina à Maçonaria, fazendo novos adeptos para a Ordem. Foi por essa razão que buscou a aliança com os maçons alemães da Estrita Observância Templária, isentos dos objetivos políticos e vingativos dos maçons Franceses.



OS DIRETÓRIOS ESCOCESES NA FRANÇA

O regime Escocês Rectificado originou-se da introdução na França, dos diretórios escoceses em 1773 e em 1774 pelo Barão de Weiler, que retificou certas lojas existentes em Estrasburgo segundo o rito da Estrita Observância Templária da Alemanha, cujo Grão-Mestre da loja de Saxe (região da Alemanha Oriental) era o Barão de Hund. Após uma longa troca de correspondências com Willermoz, Weiler instalou em 1774 em Lyon o primeiro Grande Capítulo da região e colocou Willermoz como chefe ou delegado regional.

Nesse mesmo ano, outros diretórios foram constituídos em Montpellier e em Bordeaux, cidade onde residia Martinez. O sistema era constituído por 9 graus, consistindo de três classes:

1a classe: Aprendiz, Companheiro e Mestre

2ª classe: Escocês vermelho e Cavalheiro da Águia Rosa Cruz

3a classe: (ordem interna): Escocês verde; Escudeiro noviço; Cavalheiro e Professos.

Os Professos eram considerados SUPERIORES INCÓGNITOS, pois não eram conhecidos dos membros da Ordem. O seu chefe, que mais tarde tornou-se conhecido, era o Duque Ferdinando de Brunswick, que possuía o título de Grande Superior da Ordem.



O CONVENTO DE GAULES (LYON, 1778)

O sucesso das lojas do Rito Escocês Rectificado foi total na França, principalmente porque elas eram oriundas das tradições templárias e, sobretudo porque os seus chefes eram nobres autênticos, príncipes, duques, barões e as iniciações eram muito seletiva. Nessa mesma época, estava-se instalando o Grande Oriente da França, que fez questão de agrupar os Diretórios Escoceses sob sua égide e um tratado foi assinado nesse sentido. Esses diretórios não tinham uma direção central na França e uma união era preconizada por todos. Entretanto as desavenças em vez de diminuírem, aumentaram. O próprio Willermoz escreveu ao Príncipe Charles de Hesse, queixando-se que Weiler não conhecia nada sobre “as coisas essenciais”;.

O grande superior Ferdinando de Brunswick procurava desesperadamente a doutrina e a coesão que faltava. Os Lyoneses detinham há 11 anos o sistema de Martinez de Pasqually, doutrina que poderia interessar aos Diretórios. Willermoz e Louis Claude de Saint-Martin de maneira muito oculta, prepararam as coisas com cuidado.

Eles conseguiram iniciar Jean de Turkeim e Rodolphe de Salznan na Ordem dos “Elus Cohens” homens de grande importância no seio da Estrita Observância Templária do Diretório de Estrasburgo. E esses dois homens desempenharam um papel muito importante quando os ocultistas de Lyon apresentaram a sua proposta dos conventos que iriam realizar no futuro. Com os espíritos preparados, segundo a doutrina de Martinez, os Lyoneses convocaram o CONVENTO DE GAULES em 1778, em Lyon. As grandes figuras da Estrita Observância Templária estiveram presentes em Lyon, mas preocuparam-se essencialmente com o futuro administrativo da Maçonaria. Willermoz demonstrou, desde logo, que a preocupação deveria nortear-se sobre o verdadeiro objetivo da Maçonaria, suas diretivas de estudos que deveriam orientar-se na busca da Divindade.

No transcurso dos trabalhos, decidiram distinguir as lojas simbólicas das lojas da Ordem Interior e substituir por Cavaleiro Benfeitor da Cidade Santa a palavra Templário. Os rituais apresentados pelos Lyoneses foram aprovados, assim como as instruções secretas de Willermoz, tiradas do “Tratado da Reintegração dos Seres Criados”de Martinez de Pasqually. O objetivo primeiro da Maçonaria seria comunicado somente aos iniciados nos dois últimos graus, os de “Professo” e do “Grande Professo”. A denominação de Superior Incógnito, que tinha sido condenada anteriormente, foi ressuscitada no convento, e era designada àqueles portadores de alta doutrina da Ordem. Entretanto, o verdadeiro objetivo da Maçonaria, permanecia desconhecido por todos aqueles que não tinham entrado realmente dentro da iniciação, embora portassem títulos de nobreza e mesmo os altos graus do “Rito Escocês Rectificado”. Além disso, havia várias tendências maçônicas e de outras sociedades espiritualistas que colocavam uma grande confusão nas mentes dos vários grupos maçônicos, oriundos de regiões diferentes. Havia assim, a necessidade da realização de outro convento.



CONVENTO DE WILLELMSBAD DE 1782

Foi assim que quatro a nos mais tarde, em 1782, se realizou outro em Willelmsbad, com um número maior de participantes em relação àquele efetivado na cidade de Lyon em 1778. As reuniões duraram 45 dias e lá estavam presentes Willermoz e Saint-Martin, bem como, representantes dos Filaletes, dos Iluminados da Baviera, etc, todos ligados à Estrita Observância Templária.

A diversidade de idéias e de opiniões impediu que se chegasse a um denominador comum e que se definisse com precisão a doutrina da Ordem. Desta maneira, acabou-se mantendo as mesmas resoluções do Convento de Lyon, inclusive a doutrina de Martinez. Abandonou-se a pretensão da descendência direta dos Templários, evocando-se, entretanto uma filiação espiritual, oriunda do Mundo Invisível.

Os rituais foram modificados substancialmente, diferenciando o sistema da Maçonaria Tradicional.

Esta é a razão pela qual o sistema foi denominado de RITO ESCOCÊS RETIFICADO.

Foi relançado nas suas bases atuais, graças ao trabalho incansável de Jean-Baptiste Willermoz, que mantinha relações com maçons de toda a Europa, principalmente com os Irmãos mais qualificados de todos os ritos.

Ele passou a vida inteira reunindo todo o tipo imaginável de documentos, rituais e instruções, buscando alcançar a essência da iniciação maçônica.

O sistema maçônico que o interessava de imediato, foi o da Estrita Observância Templária, em razão das origens templários que esse sistema atribuía à Maçonaria e por sua organização em forma de ordem de cavalaria.



ORIGENS MAÇÔNICAS DE WILLERMOZ

Jean-Baptiste Willermoz era muito estimado pelos seus discípulos, principalmente pelas maneiras cordiais, amigáveis e sedutoras. Ele tinha como profissão profana a fabricação e comércio de artigos de seda, sendo ainda um grande proprietário de imóveis na cidade de Lyon, no centro da França.

Desde jovem, conseguiu reunir em torno de si um grupo de homens devotados à causa espiritual, tais como: Louis Claude de Saint-Martin, Joseph de Maistre, Martinez de Pasqually e o famoso Conde de Saint-Germain, alguns companheiros de estudos, outros seus próprios mestres.

Claude Catherin Willermoz foi seu pai, que por tradição também se dedicava à produção de tecidos; sua irmã Claudine foi iniciada nas ordens externas e o seu irmão mais novo, o médico Pierre-Jacques Willermoz foi iniciado em todas as ordens e jogou um papel importante na afirmação de Lyon como centro maçônico importante.

Jean-Baptiste Willermoz iniciou-se na Maçonaria em 1750. Com 20 anos de idade e já em 1752 era Venerável Mestre da sua loja e um ano mais tarde fundou a loja “;A Perfeita Amizade”, que desempenhou um papel muito importante mais tarde. Em 1756 obteve a filiação da sua loja na Grande Loja da França. Em 1760, com 30 anos de idade, fundou uma segunda loja: “Os Verdadeiros Amigos”; juntamente com o Venerável da sua primeira loja: “A Amizade”;, o irmão Jacques Irenée Grandon.

Nesse mesmo ano, as três lojas AMIZADE, A PERFEITA AMIZADE, e os VERDADEIROS AMIGOS, sob a coordenação de Willermoz, fundam a GRANDE LOJA DOS MESTRES REGULARES DE LYON, que recebeu Grandon como o seu primeiro presidente. Esses maçons tinham como objetivo a volta às suas origens primitivas.

Willermoz torna-se Grão Mestre em 1761, reelegendo-se em 1762, mas desinteressou-se em seguida, devido ao aumento das tarefas administrativas. Além disso, ele estava desgostoso com a banalidade dos trabalhos maçônicos o que o induziu a fundar o Capítulo dos “;CAVALEIROS DA ÁGUIA NEGRA”, onde recrutava os melhores elementos de todas as lojas da cidade.

Willermoz ensinava no seu Capítulo que, para encontrar a pedra cúbica, que contém em si todos os dons, virtudes ou faculdades, era necessário encontrar o princípio da vida que os Adeptos chamam Alkaeter. Esse espírito tem a faculdade de purificar o ser anímico do homem, prolongando sua vida.

Ele também tem a virtude de transformar os vis metais em ouro. Esse espírito encontra-se nos três reinos da natureza e cabe ao homem encontrar a maneira de manipulá-lo. Eles ensinavam que a pedra bruta representava a matéria disforme que devemos preparar; a pedra cúbica com ponta piramidal representava a matéria desenvolvida pela tríplice ação do Sal, do Enxofre e do Mercúrio.

O portador do terceiro grau possuía duas jóias, uma era o emblema dos três reinos da natureza que entra no trabalho de preparação da Grande Obra, a outra era o Pantáculo de Salomão, de sorte que o iniciado deveria portar em si toda a ciência cabalística. Entretanto, Willermoz logo desinteressou-se do Capítulo da Águia Negra, pelas seguintes razões: primeiro porque a base de simbolismo já era do seu pleno conhecimento e havia conseguido formar Mestres capazes de continuar esse trabalho de instruir o s maçons do capítulo; segundo porque encontrou Martinez de Pasqually em 1767, quando tinha 37 anos de idade. Martinez, que como se sabe, foi o fundador da Ordem dos Cavaleiros Maçons Elus Cohens do Universo, sistema operativo, cujo ensinamento marcou profundamente o espírito de Willermoz.



A DOUTRINA DE MARTINEZ E O GRANDE TEMPLO DE LYON

Os maçons de Lyon, embora perseverantes no seu trabalho, não possuíam, uma doutrina sintética, que lhes assegurasse o objetivo dos seus trabalhos. A doutrina exposta por Martinez encaixou como uma luva nas mãos laboriosas dos maçons ocultistas de Lyon, cujo chefe era Jean-Baptiste Willermoz.

Tal doutrina comportava a revelação de verdades primordiais, comunicadas outrora a alguns seres privilegiados, e em sua síntese, ensinava a maneira de transpor a barreira que separa o Homem da Divindade.

Martinez trazia a mensagem de uma tradição oculta, conservada alegoricamente nas Escrituras Sagradas, sob o véu dos símbolos, transmitida através dos tempos pelas Sociedades Secretas. A Maçonaria tinha perdido a chave dessa tradição, que foi reencontrada por Martinez e por ele retransmitida nos seus rituais.

A sua doutrina explicava que a história da humanidade se resumia nas conseqüências do pecado original e na subdivisão do Homem Primitivo. A Divindade emanou Adão para que fosse o guardião da prisão onde tinha colocado os anjos rebeldes. Adão, revestido de uma forma “gloriosa”; comandava toda a criação. Mas, seduzido pelos Espíritos perversos, Adão quis ter a sua própria posteridade “espiritual”;.

Entretanto, a criação de Adão não resultou senão numa forma material (Eva), que constituiu sua própria prisão futura. Essa condição o privou da comunicação com a Divindade e o expôs aos ataques dos espíritos perversos, dos quais ele era anteriormente o Mestre.

A posteridade de Seth poderá obter sua reconciliação e entrar em contacto directo com a Divindade, após ter percorrido todas as esferas superiores do mundo celeste.

Willermoz foi iniciado por Martinez em Versailles, perto de Paris, no Equinócio de Março de 1767, quando este instalou o seu Tribunal Soberano de Paris. Willermoz tinha sido apresentado por Bacon de la Chevalerie e o Mestre logo reconheceu em Willermoz um futuro adepto, um continuador da sua doutrina, motivo pelo qual não pode conter as lágrimas, sobretudo, porque via nessa iniciação a prova da sua reconciliação com a Divindade. Nesse mesmo ano, Willermoz foi recebido como membro não residente do Tribunal Soberano e a sua correspondência com o Mestre durou cinco anos.

Entretanto, durante esse período não obteve nenhuma luz, o que quase induziu Willermoz a abandonar a Ordem, apesar de Martinez lhe dizer que o desenvolvimento das qualidades espirituais, não vinha de um dia para o outro, e que somente o tempo e a perseverança na iniciação lhe poderia oferecer os resultados esperados.

Divindade, nada lhe será dado. Somente a graça da reconciliação do Pai dará a potência e o poder ao filho. A luz não é dada ao curioso, ao apressado; o Altíssimo a concede ao Homem submisso aos seus mandamentos e que pratica a sua justiça.

O Elus Cohen deveria seguir rigorosamente o ritual teúrgico e renunciar a tudo o que existe neste baixo mundo, e resignar-se a receber a graça no seu devido tempo. Esta virá, a partir de um trabalho constante, quando menos se espera. A preguiça, ou a impureza de um único membro durante os trabalhos, prejudica todo o trabalho coletivo dos grupos operativos.

Willermoz compreendeu rapidamente estas premissas e trabalhou de corpo e alma, não somente na sua regeneração pessoal como também com o objetivo de estender essa doutrina à Maçonaria, fazendo novos adeptos para a Ordem. Foi por essa razão que buscou a aliança com os maçons alemães da Estrita Observância Templária, isentos dos objetivos políticos e vingativos dos maçons Franceses.



OS DIRETÓRIOS ESCOCESES NA FRANÇA

O regime Escocês Rectificado originou-se da introdução na França, dos diretórios escoceses em 1773 e em 1774 pelo Barão de Weiler, que retificou certas lojas existentes em Estrasburgo segundo o rito da Estrita Observância Templária da Alemanha, cujo Grão-Mestre da loja de Saxe (região da Alemanha Oriental) era o Barão de Hund. Após uma longa troca de correspondências com Willermoz, Weiler instalou em 1774 em Lyon o primeiro Grande Capítulo da região e colocou Willermoz como chefe ou delegado regional.

Nesse mesmo ano, outros diretórios foram constituídos em Montpellier e em Bordeaux, cidade onde residia Martinez. O sistema era constituído por 9 graus, consistindo de três classes:

1a classe: Aprendiz, Companheiro e Mestre

2ª classe: Escocês vermelho e Cavalheiro da Águia Rosa Cruz

3a classe: (ordem interna): Escocês verde; Escudeiro noviço; Cavalheiro e Professos.

Os Professos eram considerados SUPERIORES INCÓGNITOS, pois não eram conhecidos dos membros da Ordem. O seu chefe, que mais tarde tornou-se conhecido, era o Duque Ferdinando de Brunswick, que possuía o título de Grande Superior da Ordem.



O CONVENTO DE GAULES (LYON, 1778)

O sucesso das lojas do Rito Escocês Rectificado foi total na França, principalmente porque elas eram oriundas das tradições templárias e, sobretudo porque os seus chefes eram nobres autênticos, príncipes, duques, barões e as iniciações eram muito seletiva. Nessa mesma época, estava-se instalando o Grande Oriente da França, que fez questão de agrupar os Diretórios Escoceses sob sua égide e um tratado foi assinado nesse sentido. Esses diretórios não tinham uma direção central na França e uma união era preconizada por todos. Entretanto as desavenças em vez de diminuírem, aumentaram. O próprio Willermoz escreveu ao Príncipe Charles de Hesse, queixando-se que Weiler não conhecia nada sobre “as coisas essenciais”;.

O grande superior Ferdinando de Brunswick procurava desesperadamente a doutrina e a coesão que faltava. Os Lyoneses detinham há 11 anos o sistema de Martinez de Pasqually, doutrina que poderia interessar aos Diretórios. Willermoz e Louis Claude de Saint-Martin de maneira muito oculta, prepararam as coisas com cuidado.

Eles conseguiram iniciar Jean de Turkeim e Rodolphe de Salznan na Ordem dos “Elus Cohens” homens de grande importância no seio da Estrita Observância Templária do Diretório de Estrasburgo. E esses dois homens desempenharam um papel muito importante quando os ocultistas de Lyon apresentaram a sua proposta dos conventos que iriam realizar no futuro. Com os espíritos preparados, segundo a doutrina de Martinez, os Lyoneses convocaram o CONVENTO DE GAULES em 1778, em Lyon. As grandes figuras da Estrita Observância Templária estiveram presentes em Lyon, mas preocuparam-se essencialmente com o futuro administrativo da Maçonaria. Willermoz demonstrou, desde logo, que a preocupação deveria nortear-se sobre o verdadeiro objetivo da Maçonaria, suas diretivas de estudos que deveriam orientar-se na busca da Divindade.

No transcurso dos trabalhos, decidiram distinguir as lojas simbólicas das lojas da Ordem Interior e substituir por Cavaleiro Benfeitor da Cidade Santa a palavra Templário. Os rituais apresentados pelos Lyoneses foram aprovados, assim como as instruções secretas de Willermoz, tiradas do “Tratado da Reintegração dos Seres Criados”de Martinez de Pasqually. O objetivo primeiro da Maçonaria seria comunicado somente aos iniciados nos dois últimos graus, os de “Professo” e do “Grande Professo”. A denominação de Superior Incógnito, que tinha sido condenada anteriormente, foi ressuscitada no convento, e era designada àqueles portadores de alta doutrina da Ordem. Entretanto, o verdadeiro objetivo da Maçonaria, permanecia desconhecido por todos aqueles que não tinham entrado realmente dentro da iniciação, embora portassem títulos de nobreza e mesmo os altos graus do “Rito Escocês Rectificado”. Além disso, havia várias tendências maçônicas e de outras sociedades espiritualistas que colocavam uma grande confusão nas mentes dos vários grupos maçônicos, oriundos de regiões diferentes. Havia assim, a necessidade da realização de outro convento.



CONVENTO DE WILLELMSBAD DE 1782

Foi assim que quatro a nos mais tarde, em 1782, se realizou outro em Willelmsbad, com um número maior de participantes em relação àquele efetivado na cidade de Lyon em 1778. As reuniões duraram 45 dias e lá estavam presentes Willermoz e Saint-Martin, bem como, representantes dos Filaletes, dos Iluminados da Baviera, etc, todos ligados à Estrita Observância Templária.

A diversidade de idéias e de opiniões impediu que se chegasse a um denominador comum e que se definisse com precisão a doutrina da Ordem. Desta maneira, acabou-se mantendo as mesmas resoluções do Convento de Lyon, inclusive a doutrina de Martinez. Abandonou-se a pretensão da descendência direta dos Templários, evocando-se, entretanto uma filiação espiritual, oriunda do Mundo Invisível.

Os rituais foram modificados substancialmente, diferenciando o sistema da Maçonaria Tradicional.

Esta é a razão pela qual o sistema foi denominado de RITO ESCOCÊS RETIFICADO.

Por Wagner Veneziani Costa - 33º
Fonte:
http://oeditor.osupremo.com.br/index.php/maconaria/64-rito-escoces-retificado

terça-feira, 19 de março de 2013

Capítulo Ibiporã da Ordem Demolay



Muitas pessoas já conhecem o trabalho realizado pela Ordem DeMolay em Ibiporã, outras, talvez, nunca nem ouviram falar. A Ordem DeMolay é um grupo formado por jovens de 12 a 21 anos, do sexo masculino, que visa realizar ações filantrópicas. E nesta segunda-feira, 18 de março, comemora-se o Dia Nacional do DeMolay.

De acordo com as informações do ex-mestre conselheiro do Capítulo Ibiporã da Ordem DeMolay, Rodrigo Franciscon, a Ordem possui Sete Princípios Sagrados, são eles: Amor Filial, Reverência pelas Coisas Sagradas, Cortesia, Companheirismo, Fidelidade, Pureza e Patriotismo. Há também princípios como a defesa pela Liberdade Civil, Liberdade Intelectual e Liberdade Religiosa.

A Chegada em Ibiporã

Em Ibiporã, o Capítulo foi fundado no dia 24 de junho de 2006. Hunoel Gonçalves, Bento Seki e Rogério Pesser foram alguns dos nomes que idealizaram Ordem DeMolay em Ibiporã.

“Grandes foram as barreiras, mas a esperança e a vontade de ajudar a juventude ibiporaense impulsionou todos os idealizadores e realizadores deste projeto. O município recebeu a instalação de seu 629º Capítulo subordinado ao Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil. Teve, como primeiro Mestre Conselheiro, o Ir. Marcel Gonçalves”, lembrou Franciscon.

Alguns anos depois, Gonçalves se tornou presidente do Conselho Consultivo do Capítulo. Com seis anos de existência já foram realizadas muitas ações filantrópicas para diversas entidades carentes do município.

“Já realizamos a entrega de chocolates na Páscoa, doação de roupas, festas em creches carentes, doação de cestas de Natal, Dia das Crianças com crianças carentes, doações de livros, entrega de panetones e a maior de todas as promoções, o Arrastão da Solidariedade DeMolay, que na última edição chegou à marca de 1,5 toneladas de alimentos doados”, completou.

Dia Nacional do DeMolay

Em 19 de janeiro de 2010, foi promulgada a Lei Federal nº 12.208 que instituiu o dia 18 de Março como o Dia Nacional do DeMolay. A escolha da data marca o falecimento de Jacques DeMolay, herói mártir da Ordem. Um reconhecimento por esta Ordem que tem milhões de membros espalhados pelo mundo.

História

A fundação da Ordem DeMolay se deu em 18 de março de 1919, em Kansas City, nos Estados Unidos. O idealizador foi Frank Sherman Land. O nome DeMolay foi sugerido por Sherman e representava um homem do Último Grão Mestre da Ordem dos Cavaleiros Templários, que em vida foi exemplo de companheirismo, fidelidade e heroísmo.

A Ordem chegou ao Brasil em 1980, no Rio de Janeiro, por meio de Alberto Mansur, ele deu início às primeiras células da organização, mais conhecidas como Capítulos. Ele ainda fundou o soberano Conselho da Ordem Demolay para o Brasil, que coordena todos os trabalhos da ordem no país. Segundo Franciscon, atualmente existe cerca de 700 capítulos instalados em todo o território nacional e mais de 100 mil jovens inseridos.

Ele informou que o objetivo do DeMolay é preparar o jovem para a liderança em sua comunidade e onde estiver, por meio de princípios e fundamentos, pretende imprimir na mente dos jovens uma vida cercada pelos seus fundamentos. Os capítulos, em cada cidade, realizam ações filantrópicas de diversas formas. “Os jovens, e muitas vezes crianças de nosso grupo, estão diariamente engajados em atitudes que visam os menos favorecidos”, contou.
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Fontes: http://www.tudoibipora.com.br/2011/hp/materia.php?mat_id=3521&fb_source=message

segunda-feira, 18 de março de 2013

Como denunciar intolerância religiosa



A intolerância religiosa é um conjunto de ideologias e atitudes ofensivas a diferentes crenças e religiões. Em casos extremos esse tipo de intolerância torna-se uma perseguição. Sendo definida como um crime de ódio que fere a liberdade e a dignidade humana, a perseguição religiosa é de extrema gravidade e costuma ser caracterizada pela ofensa, discriminação e até mesmo atos que atentam à vida de um determinado grupo que tem em comum certas crenças.

As liberdades de expressão e de culto são asseguradas pela Declaração Universal dos Direitos Humanos e pela Constituição Federal. A religião e a crença de um ser humano não devem constituir barreiras a fraternais e melhores relações humanas. Todos devem ser respeitados e tratados de maneira igual perante a lei, independente da orientação religiosa.

O Brasil é um país de Estado Laico, isso significa que não há uma religião oficial brasileira e que o Estado se mantém neutro e imparcial às diferentes religiões. Desta forma, há uma separação entre Estado e Igreja; o que, teoricamente, assegura uma governabilidade imune à influência de dogmas religiosos. Além de separar governo de religião, a Constituição Federal também garante o tratamento igualitário a todos os seres humanos, quaisquer que sejam suas crenças. Dessa maneira, a liberdade religiosa está protegida e não deve, de forma alguma, ser desrespeitada.

É importante salientar que a crítica religiosa não é igual à intolerância religiosa. Os direitos de criticar dogmas e encaminhamentos de uma religião são assegurados pelas liberdades de opinião e expressão. Todavia, isso deve ser feito de forma que não haja desrespeito e ódio ao grupo religioso a que é direcionada a crítica. Como há muita influência religiosa na vida político-social brasileira, as críticas às religiões são comuns. Essas críticas são essenciais ao exercício de debate democrático e devem ser respeitadas em seus devidos termos.

Ao denunciar um crime de intolerância religiosa a vítima deve exigir que o caso seja tratado com grande responsabilidade e que haja a elaboração de um Boletim de Ocorrência. Em caso de agressão física é de essencial importância que a vítima não limpe ferimentos nem troque de roupas, já que esses fatores constituem provas da agressão. Além disso, a vítima deve exigir a realização de um Exame de Corpo de Delito para a avaliação da agressão. É válido lembrar que se a ofensa ocorrer em templos, terreiros, na casa da vítima e etc, o local deve ser deixado da maneira como foi encontrado para facilitar e legitimar a investigação das autoridades competentes.

A denúncia e busca por justiça em casos de intolerância e perseguição religiosa são mais do que um direito do cidadão: também são um dever. Denunciar o preconceito ajuda futuras vítimas e toda a sociedade. Qualquer tipo de ofensa, tanto moral quanto física, deve ser denunciada. Todos os tipos de Delegacia têm o dever de averiguar casos desse tipo. Em São Paulo, contamos com uma Delegacia focada em Crimes de Ódio. Seu endereço e telefone de contato seguem abaixo.

    Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (DECRADI)
    Rua Brigadeiro Tobias, 527 – 3º andar Luz – SP
    Tel: (11) 3311-3556/3315-0151 ramal 248

segunda-feira, 11 de março de 2013

FRATERNIDADE HUMANA...Artigo em Extinção?



Como o ser humano esqueceu do que é ser humano, existem alguns artigos em extinção no mundo, e entre estes, a Fraternidade Humana é o que mais está perigando desaparecer de vez, tantas são as demonstrações de intolerância que vemos por todos os cantos.

Chega a ser impressionante o descaso com que a vida humana é encarada.
E o que mais chama a atenção, é que esse terrível desprezo pelos mais comezinhos sentimentos humanitários, já está ficando a cada vez mais banalizado.  As pessoas, além de não ligar para a vida de seus semelhantes, e nem mesmo da Natureza, também estão desprezando a própria vida.

Li uma frase de autoria de uma das personalidades que mais se preocupou com a vida e o bem estar de seus semelhantes, esquecendo-se da própria, tendo enfrentado as maiores perseguições em defesa dos direitos humanos (dos reais direitos humanos, ou seja, simplesmente o direito de ir e vir.). Falamos de Martin Luther King que, entre outras belas mensagens, deixou-nos esta:
 "Aprendemos a voar como pássaros, e a nadar como peixes, mas não aprendemos a conviver como irmãos."
A verdade é que nem mesmo irmãos de sangue se entendem, então que poderá se dizer entre pessoas não aparentadas. A verdade, é que temos  de aprender a conviver como irmãos amigos, já que aos olhos do Amigão, somos todos iguais. Na teoria, também deveríamos ser iguais perante a Lei, mas, a realidade é bem outra.

Tal sentimento, que  já era atual em sua época, e o é muito mais agora, quando assistimos estarrecidos a incríveis demonstrações de desprezo pelos mais simples princípios de respeito à vida humana, com essa inconcebível sucessão de atentados terroristas, onde vidas humanas são eliminadas das mais diversas formas, nos mais diversos lugares do mundo.  Mata-se pelo prazer de matar, sem sequer saber quem vai morrer.

Em menor escala, no nosso dia a dia, assistimos sempre a demonstrações semelhantes, apesar de não ter tanto impacto.  Por exemplo, quando vemos a maneira com que certas pessoas dirigem no trânsito, agindo de uma maneira totalmente irresponsável, provocando acidentes que ceifam vidas e inutilizam pessoas. Isto é apenas um exemplo.  Não vale a pena enumerar tudo o que se faz de criminoso, pois todos conhecem até demais, pelo noticiário policial.

Pretendo apenas, chamar a atenção das pessoas, para a necessidade, neste momento, de "parar o mundo porque eu quero descer".
Crianças, é hora de uma profunda reflexão, de repensarmos atitudes, de voltarmos nossos pensamentos para coisas mais elevadas (não estou falando do custo de vida, e nem do dólar...). Temos que voltar a conversar com Alguém lá de cima, temos que escutá-Lo, e ver onde estamos errando. Temos, enfim,  que repensar muitas coisas.

O que se torna imprescindível,  é que se esqueçam pequenas diferenças, pequenos ódios, e até mesmo os grandes, porque estamos vivendo um momento muito delicado, em que uma união se faz necessária.

Uma reflexão profunda, uma meditação visando reencontrar os verdadeiros valores da vida, que são baseados em Paz, Compreensão, Perdão, Sentimentos Humanitários.

Tivemos exemplos gritantes sobre aonde o ódio exacerbado leva as pessoas, com esses atentados terroristas que volta e meia acontecem, ora na Espanha, ora na Itália, ora nos Estados Unidos, ora em Israel, ora no Libano, ora no fundo mar....  Até que ponto mentes perturbadas podem chegar em seus insanos desejos de simplesmente matar, e matar seja lá quem for. Apenas, matar...  Não dá pra  imaginar o que se passa na cabeça de quem comete insanidades como essas.

Reduzindo às questões meramente pessoais, mais vale a pena relevar-se certas coisas, do que arquitetar planos de vingança e justiçamento pessoal.

Aproveitemos esses acontecimentos lamentáveis para repensar muitas atitudes, esquecendo rivalidades, desentendimentos, mesmo quando não se pretender reatar laços rompidos. Simplesmente seguindo seu caminho em paz. Vivendo e deixando viver.
A raiva, o ódio, são péssimos conselheiros, e nos levam muitas vezes a atitudes irrefletidas. Tivemos alguns exemplos nestes últimos dias. Evitemos a repetição disso em nossas vidas.

Um pouco de luz em nossas vidas, permitindo que este seja UM LINDO DIA.

Marcial Salaverry
http://www.recantodasletras.com.br/cronicas/785307